03O troço

Dois quilómetros e meio de encosta, vistos de cima

Alterna entre o que existe hoje e o que a revisão do PDM propõe. A via não segue a Ecovia metro a metro: em várias zonas passa ao lado, e o mapa mostra as duas linhas em simultâneo. Relevo real, imagem de satélite, traçado do OpenStreetMap.

Mapa 3D

O mapa interactivo precisa de WebGL. Abre esta página num browser recente para explorar o troço em três dimensões.

Ecovia sobre a antiga linha, 2.5 km sem automóveis
Continuação do canal até Fafe
1
Estação de Guimarães

Início do troço. Rotunda da Avenida D. João IV.

2
Passagem sobre a Costa

A Ecovia atravessa a encosta entre Urgezes e a Costa.

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Academia de Ginástica

Fim do troço. Aqui nascerá o Campus da Justiça (2029).

4
Ecopista Guimarães–Fafe

O canal continua até Fafe pela Pista de Cicloturismo (1999).

Onde a via se afasta da Ecovia

Ao lado, e não em cima: por isso é pior

A imagem divulgada com a revisão do PDM mostra a via a arrancar na rotunda da Avenida D. João IV, a acompanhar o canal da antiga linha e a ligar à Costa. Georreferenciámos essa imagem sobre o satélite: na metade baixa, entre a estação e a zona desportiva, a via corre a 15 a 40 m a nascente da Ecovia; a meio da encosta há um nó de ligação com ramais, junto ao cruzamento com a estrada da Costa; no troço alto as duas linhas coincidem.

Ao lado não é melhor. Significa que a plataforma rodoviária ocupa a Ecovia onde coincide, e onde não coincide ocupa a faixa de árvores, muros e quintais que hoje a separa das casas. O corredor arborizado deixa de existir nos dois casos.

O traçado vermelho, o nó e a faixa de 28 m resultam da georreferenciação da imagem do PDM (erro médio de cerca de 11 m), sem projecto de execução público: extensão aproximada de 2.22 km face aos 2.5 km da Ecovia. A faixa corresponde a uma plataforma de duas vias com bermas e passeios; os taludes de escavação e aterro na encosta alargam-na. Corrigimos tudo assim que a Câmara publicar a planta.

Imagem da via proposta na revisão do PDM sobre fotografia aérea
Via proposta · imagem da revisão do PDM, Set 2026
Em números
0 km

de canal sem automóveis, da estação à Academia de Ginástica

0

ano em que o canal foi aberto para o caminho-de-ferro

0

ano em que foi devolvido a peões e ciclistas, com 2,3 M€ do FEDER

0 km

de rede de ecovias e ciclovias do concelho que este troço liga

O que uma estrada faz a uma encosta

Plataforma

Uma via urbana com duas faixas, bermas e passeio ocupa 12 a 16 m de largura. O canal ferroviário tem 6 a 8 m. O resto sai da encosta, dos muros de suporte e dos quintais confinantes.

Declive

O comboio subia a encosta da Costa com pendentes suaves, por isso a Ecovia é plana e acessível. Uma estrada com o mesmo traçado herda o mesmo declive: convida à velocidade.

Ruído e ar

O corredor atravessa habitações, a escola e a zona desportiva. Um corredor de tráfego de atravessamento traz ruído contínuo e partículas onde hoje há um percurso silencioso.

Rede

Este troço é a ligação da Ecovia urbana à Pista de Cicloturismo até Fafe. Cortá-lo parte em duas a rede de mais de 56 km em que o município investiu.

Fauna

Tritões, salamandras, raposas, mochos e morcegos usam o corredor arborizado entre a Penha e o Parque da Cidade. O próprio Plano de Biodiversidade do município classifica as estradas como «barreira intransponível» para os anfíbios em migração.

A faixa de impacto no mapa tem 28 m de largura real, medida no terreno, mas é uma aproximação: o PDM reserva um corredor e não publica ainda um projecto de execução. É precisamente por não haver projecto nem estudo de tráfego que pedimos que o corredor não seja inscrito. Ver o estudo de simulação.

Vida selvagem

Quem mais usa a Ecovia, e não assina petições

O corredor da antiga linha é uma faixa contínua de árvores, muros de granito, tanques e uma ribeira, entre a Penha e o Parque da Cidade. O município estudou-o. Os cidadãos registam-no. Ninguém, até hoje, fez um levantamento de fauna para a via proposta.

0

espécies de aves no concelho (2023)

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mamíferos, terrestres e voadores no concelho (2023)

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anfíbios no concelho (2023)

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répteis autóctones no concelho (2023)

Fonte: Plano de Ação para a Biodiversidade Guimarães 2030, Laboratório da Paisagem. «Praticamente todas as espécies conhecidas para a região já foram contabilizadas: qualquer aumento futuro só virá da expansão dos habitats disponíveis.»

O corredor da antiga linha liga o Parque da Cidade e a Veiga de Creixomil, a poente, à Mata pousada da Costa (3,2 ha, local de interesse de conservação n.º 8 do PABG 2030) e à Montanha da Penha (mais de 120 vertebrados terrestres, 44 ha de área de conservação), a nascente.

A ribeira da Costa/Couros, que o corredor acompanha na parte baixa, é uma das «duas importantes e identitárias linhas de água de Guimarães» e mantém troços «em estado quase natural» a montante, segundo o próprio município.

O PABG 2030 escreve que «a rede rodoviária pode constituir uma barreira intransponível ou um elevado risco de mortalidade» para os anfíbios em migração, e fixa como acção «reduzir o número de atropelamentos de animais» e «minimizar os impactes das estradas na fauna».

O mesmo plano identifica a fragmentação das áreas verdes como «uma das principais ameaças à sustentabilidade da biodiversidade em contextos urbanos» e propõe um Cinturão Verde de 11 km para ligar os espaços verdes da cidade. Uma estrada sobre a Ecovia corta precisamente uma dessas ligações.

Espécies registadas no corredor e na encosta
  • Tritão-de-ventre-laranjaanfíbio
    Lissotriton boscai · 3 registos

    Endemismo ibérico. Reproduz-se em tanques, minas de água e poças da encosta; passa o resto do ano em terra, sob pedras e muros. Última observação verificada junto ao troço: 15 Jun 2026. Ver registo.

  • Tritão-marmoradoanfíbio · VU
    Triturus marmoratus · 1 registo

    Estatuto Vulnerável em Portugal. Migra entre charcos e bosque na época de reprodução: é uma das espécies mais mortas por atropelamento.

  • Salamandra-de-pintas-amarelasanfíbio · VU
    Salamandra salamandra gallaica · 8 registos

    Subespécie do noroeste ibérico. Nocturna, sai em noites de chuva de Outubro a Março, exactamente quando as estradas a matam mais.

  • Sapo-parteiroanfíbio
    Alytes obstetricans · 4 registos

    O macho transporta os ovos nas patas traseiras. Registado nos muros de granito de Couros, a 300 m do início do troço.

  • Rã-verdeanfíbio
    Pelophylax perezi · 15 registos

    A espécie mais registada na zona, incluindo na freguesia da Costa. Depende dos tanques e da ribeira.

  • Raposamamífero
    Vulpes vulpes · 3 registos

    Registada em Cantonha (Costa) em Out 2025 e junto à cidade. Usa o corredor arborizado da antiga linha para se deslocar entre a Penha e os campos. Ver registo.

  • Ouriço-cacheiromamífero · NT
    Erinaceus europaeus · 2 registos

    Quase Ameaçado. Vítima típica de atropelamento em vias urbanas com tráfego nocturno.

  • Esquilo-vermelhomamífero
    Sciurus vulgaris · 3 registos

    Regressou ao Minho nas últimas décadas seguindo os corredores de árvores. Precisa de copas contínuas para atravessar.

  • Morcegosmamífero
    Chiroptera · 3 registos

    Detectados na área do troço. O PABG 2030 destaca o papel do concelho na conservação de várias espécies de quirópteros, que caçam ao longo de linhas de vegetação e evitam zonas iluminadas.

  • Mocho-galegoave
    Athene noctua · 2 registos

    «Fácil de observar à noite nos fios de electricidade» na Penha, segundo o município. Dois registos verificados na área da cidade. Caça em prados e hortas junto ao troço.

  • Coruja-do-matoave
    Strix aluco · 4 registos

    Comum de ouvir na Penha e nos bosques da encosta (quatro registos na área da cidade). Nidifica em árvores velhas; o ruído de tráfego contínuo reduz o sucesso da caça por audição.

  • Pica-pau-verde-ibéricoave
    Picus sharpei · 6 registos

    Endemismo ibérico. Seis observações no rectângulo do troço, ligadas às árvores maduras que ladeiam a antiga linha.

  • Guarda-riosave
    Alcedo atthis · 2 registos

    Indicador de linhas de água limpas. Observado na ribeira da Costa/Couros, que o município classifica como «em estado quase natural» a montante.

  • Gaviãoave
    Accipiter nisus · 2 registos

    Rapina florestal que caça ao longo de orlas arborizadas como a da Ecovia.

  • Trepadeira-azul, chapim-carvoeiro, estrelinha-de-cabeça-listadaave
    Sitta europaea, Periparus ater, Regulus ignicapilla · 11 registos

    Aves de bosque maduro. A trepadeira-azul tem 11 observações no rectângulo: sinal de carvalhos e pinheiros velhos ao longo do corredor.

  • Sardãoréptil
    Timon lepidus · 3 registos

    O maior lagarto da Europa. Vive nos muros de pedra seca e socalcos ao sol da encosta da Costa.

Registos: observações verificáveis na BioDiversity4All num rectângulo de cerca de 2 × 2,7 km em torno do troço, consultadas a 20 Set 2026. Ciência cidadã, não um censo: sub-representa espécies nocturnas e discretas. VU = Vulnerável, NT = Quase Ameaçado (Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal).

Levantamento de fauna do troço: Outono 2026

Vamos fazer o que a Câmara não fez: um levantamento de anfíbios, aves nocturnas e mamíferos ao longo dos 2.5 km, nas noites de chuva de Outubro e Novembro, com biólogos voluntários e o protocolo do PABG 2030. Os resultados entram no estudo de simulação e são entregues à Assembleia Municipal.

Juntar-me ao levantamento
Arquivo · 2018

O vídeo com que o Município apresentou a Ecovia

Em Setembro de 2018, no Dia Mundial Sem Carros, a Câmara de Guimarães inaugurou a Ecovia e publicou este vídeo. Vale a pena rever o que se prometeu: uma cidade para andar a pé e de bicicleta, ligada pela antiga linha.

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